Mês: setembro 2016

Uma Prova de Ciclismo

Amigos vou descrever neste post, na verdade tentar passar um pouquinho das sensações de uma prova de ciclismo. 

A prova em questão trata-se de uma etapa da Copa RJ, no caso a quarta etapa realizada em Guapimirim, com percurso total de 136 km.

Parte 1 – Planejamento

Uma prova deste nível exige certo planejamento, começando pela definição da ida ou não, depois inscrição. Um ponto importante é a escolha da hospedagem, sempre importante escolher um local que lhe permita estar próximo da largada e também poder fazer um treino no dia anterior da prova, pois as viagens de carro tentem a prejudicar a musculatura pelo tempo que fica numa posição não muito adequada. Claro que o seu treinamento deve estar orientado ao tipo de terreno e duração da prova.

Feito isto, tem que ser planejada a viagem, a hidratação, a alimentação, para que não sofra perdas no dia anterior da prova, pois isto pode criar um prejuízo ao desempenho.

As viagens sempre são animadas, são relembrados os “causos”, e acho que as orelhas de muitos ardem, mas é uma forma de fazer o tempo passar mais rápido.

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Viagem.

Depois desta etapa da viagem, é hora de chegar ao hotel montar as bikes, e fazer um pedal que serve para liberar a musculatura e ao mesmo tempo testar o equipamento, nada de mais, uma hora é suficiente, dar uns tiros, enfim é um pedal de relaxamento.

Na noite fazer uma alimentação leve, evitando excessos ou até mesmo comidas típicas, deixe isto se for o caso para depois da prova, vá ao básico, um pizza, uma carne enfim algo simples e que vai te alimentar. Neste momento melhor é agrupar os amigos e aquela conversa.

 

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Hora de relaxar e comer algo.

Neste meio tempo já programe o horário do café com o horário da prova, lembre que terá que assinar súmula, as vezes ainda pegar o kit, além disto ainda terá que computar o tempo que vai precisar para aquecer. Prepare as caramanholas com a água e o que usa como isotônico ou malto. 

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Horário de pegar o kit da prova.

O aquecimento é algo que tem que ser avaliado, mas acredito que sempre deve ser feito, dependerá da prova a intensidade e a duração.

Feito isto estaremos indo para a linha de largada, ai vale o momento de concentração, pensar no que fará isto já deve ter sido refletido ao longo dos dias, mas vale a pena repensar. 

 

Parte 2 – Prática

Dada à largada, concentração, procure largar bem, se posicionar o mais a frente do pelotão, sempre melhor para evitar quedas. As sensações de uma prova sempre são interessantes, os barulhos, as mudanças de marchas, em dia de sol, o cheiro das borrachas de freio no carbono, enfim algo que parece que faz a prova tomar forma. 

Tente manter o foco nos seus objetivos na prova e no que traçou. No caso da prova de domingo o objetivo era claro tentar obter um pódio, para isto temos que ficar entre os 5 primeiros. 

A estratégia da prova mudou muito logo no inicio um atleta da Master B1, acelerou o pelote de forma muito forte o que levou em cerca de 7 km de prova alcançar o pelotão da Master A, o agrupamento levou a um super pelote com cerca de 100 atletas. 

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Esforço para agrupar o pelotão – 417 sou eu 🙂

Neste cenário, é fundamental gastar energia para ficar na cabeça do pelote, para tentar evitar as quedas, e ela veio faltando cerca de 30 km, mais de 20 atletas, infelizmente ficaram Jonas e Mikéias na queda.

Ao longo da prova as fugas acontecem e como o pelotão era agrupado, tem que prestar atenção para que não escape alguém de sua categoria. Isto ocorreu na primeira fuga, e tive que ir para frente para ajudar a neutralizar, e tivemos sucesso. 

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Pelotão acelerado.

Nova fuga depois de um tempo de calmaria, desta vez o pelotão alcançou de forma mais tranquila. 

Ou seja, em prova plana com um grupo muito variado é complicado a fuga ter sucesso. 

Acredito que por pensar assim, o pelotão faltando 20 km para final, não deu interesse em uma aceleração que um grupo fez, porém não sabiam que ali estavam Ceará, Clebes André, um atleta holandês, mais alguns atletas passistas. Olhei de rabo de olho e vi que não tinha nenhum Master B2, só vi a camisa vermelha da Costelo do Ceará, pensei comigo, agora vai torcer o cabo.

Foi de arrepiar, e uma das melhores perseguições que pude presenciar em loco, um cabo de força impressionante, 20km de força, e o pelotão tentando buscar, mas a fuga persistia, e a distância passava muito rápida, foram feitos 20km, em 25 minutos. Na última curva o pelotão estava muito próximo e parecia que seria pega a fuga, mas a fuga venceu.

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Chegada da fuga, repare o pelotão nervoso ao fundo.

Uma prova que deixa a gente feliz de ter participado. 

A chegada do pelotão foi tumultuada como era de esperar, nesta hora tem que ir procurando um caminho e conhecer os atletas para não se posicionar de forma a ficar encaixotado no pelotão. Feito isto é torcer para tudo ir bem e fazer força até cruzar a linha.

 

Parte 3 – Finalizando

Feita a chegada, e hora de relaxar, procurar se hidratar e se alimentar, verificar os resultados, cumprimentar os adversários. Neste dia fui muito feliz e consegui atingir o objetivo do pódio e acima de tudo vencer a prova. 

Mas os vencedores somos todos nós que podemos participar e estar com saúde para encarar estes desafios. 

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Depois é retornar com calma para casa que afinal é o melhor local para estarmos.

Bom é isto ai pessoal.